Um ai
um ei
um oi
um ui
um quê
um ser
vem silencioso
no estouro
da boiada.
Não passamos
de um ir e vir
sem coração
e sem cara.
TõeRoberto
Um ai
um ei
um oi
um ui
um quê
um ser
vem silencioso
no estouro
da boiada.
Não passamos
de um ir e vir
sem coração
e sem cara.
TõeRoberto
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Eu, Leniscarla Fabiana, ando descrente da vida!
Acho que o mundo não é mais lugar para mim!
Ando chateado com tudo!
Ando de cabeça baixa pelas ruas!
Tô precisando, com urgência, arrumar um vício!
Por que você não passa a ser a droga da droga da minha vida?
TõeRoberto
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O sistema capitalista está criando a sociedade de um homem só.
O homem de um emprego só, uma comida só, uma música só, um lazer só, um pensamento só… um homem só, mergulhado nos sonhos implantados pelos donos do poder.
Androides não são mais uma ficção: circulam nas ruas das cidades, na maior normalidade, conectados ao sistema por fios invisíveis, ondas eletrônicas… desejos uníssonos.
O sistema está criando um ser sem pés, rodas; sem cérebro, chips; sem vontades, ordens; sem poesia, metas; sem senso crítico… amém!
Um ser feio, sem essência humanitária, sobrecarregado de monetarismo e de fria individualidade.
Um ser gerado e montado para o sucesso: o sucesso do sistema que eles alimentam e adoram.
O Deus absoluto dos seus estímulos eletrônicos vazios.
Li, não sei onde, que algum filósofo famoso, ou alguém, dizia algo mais ou menos assim:
“Para as crianças, nos berços, antes de dormirem, deve-se cantar sempre uma única canção de ninar, para que elas não aprendam e não sintam a possibilidade de mudar”.
O sistema aplica esta filosofia há anos.
Em menos de um século os Androides não terão mais sexo, causa de muitas das mazelas dos seres humanos produtivos.
Seremos seres hermafroditas, presos à linguagem de algum software com I.A.
Bem-vindos, Androides Andróginos!
Até lá, graças a Deus, estarei morto!
TõeRoberto
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Eu, Tranquila Valéria, sou um homem muito fácil!
Por qualquer olhar eu caio de 4.
Por um colinho, de 8.
Por um abraço, 16.
Por um beijo “daqueles” eu flutuo, apanho a lua, pinto a Via Láctea de verde, e tomo café da manhã com o diabo.
A minha carência não tem cura… é terminal!!!
Estou sempre caindo de 4, de 8, de 16… de 128!
Nem você - nem ninguém - preenche, com exatidão, o grande vazio do meu coração necessitado.
TõeRoberto
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